Cortejo fúnebre de Pelé é acompanhado por multidão

por | 3 jan, 2023

Da Agência Reuters

 

O caixão com o corpo de Pelé era acompanhado por uma multidão durante cortejo nesta terça-feira pelas ruas de Santos, cidade que o rei tornou mundialmente famosa, depois de um velório com 24 horas de duração acompanhado por 230 mil fãs no gramado da Vila Belmiro, estádio onde brilhou com seu futebol inigualável.

Entre os que homenagearam Pelé estiveram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, ex-jogadores, colegas de equipe e jogadores do Santos. Como marca negativa, a ausência de jogadores e ex-jogadores campeões mundiais com a seleção brasileira, especialmente os mais recentes.

Somente Mauro Silva, campeão em 1994 e que trabalha na Federação Paulista de Futebol (FPF), e o ex-volante Clodoaldo, campeão com Pelé em 1970 e que trabalha como assessor da presidência do Santos, compareceram. Estrelas do tetra e do pentacampeonato mundiais, como Romário, Bebeto, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Kaká não compareceram, o que gerou críticas a esses ex-atletas.

O presidente Lula foi um dos últimos a participar do velório de Pelé. Ao lado da primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, ele ficou no local por cerca de meia hora e saiu sem falar com a imprensa. Em uma declaração para a Santos TV, ele exaltou a humildade de Pelé e lembrou que o camisa 10 o fez sofrer por sua “obsessão” em marcar gols e derrotar o Corinthians, seu time do coração.

“A coisa mais fantástica é que o Pelé nunca ficou mascarado, nunca ficou de nariz empinado, era uma pessoa que falava de igual pra igual com todo mundo”, disse Lula. “A gente não pode ficar comparando o Pelé a ninguém, porque não tem ninguém comparável ao Pelé em se tratando de jogador de futebol, em se tratando de ser humano e de comportamento.”

Após uma missa de corpo presente, o caixão com o corpo de Pelé deixou a Vila Belmiro em cortejo fúnebre pelas ruas de Santos, pouco depois das 10h e após 24 horas seguidas de homenagens, que incluíram um ato da Torcida Jovem, a maior organizada do Santos, nesta madrugada. Com bandeiras, eles cantaram músicas em homenagem ao rei do futebol.

O cortejo até o cemitério, acompanhado por milhares de pessoas, passou em frente à casa onde mora a mãe do ex-jogador, Dona Celeste, que completou 100 anos em novembro. Lá, a irmã de Pelé, Maria Lucia Nascimento, de 78 anos, acompanhou o cortejo da sacada e se emocionou.

“Foi muito emocionante e ele mereceu por tudo o que ele fez para a história do Santos, mil gols. Ele merece tudo o que está acontecendo hoje na cidade de Santos, a gente está fazendo com amor e é de Santos para o mundo”, disse a torcedora santista Maria Vitória de Almeida Santos, que estava com um grupo de membros da Torcida Jovem em um trecho por onde passou o cortejo fúnebre.

A Polícia Militar ainda não tinha estimativas sobre a quantidade de pessoas que acompanharam o cortejo, mas as imagens de todo o trajeto mostraram as ruas da cidade litorânea tomada por uma multidão se despedindo de Pelé.

 

“PELÉ É TUDO”

 

Entre os ex-jogadores que foram prestar suas últimas homenagens ao rei do futebol estiveram Marcelinho Carioca e Zé Roberto, que já atuou no Santos e ajudou a colocar o caixão de Pelé no centro do gramado da Vila Belmiro na segunda-feira.

Pelé também foi homenageado por diplomatas de vários países, como Nigéria, Costa do Marfim e Coreia do Sul, entre outros.

“Você não imagina o que o Pelé representa para a África. O racismo é menor porque Pelé existiu. Se não tivesse existido o Pelé, nenhum negro estaria jogando. Então, Pelé é tudo”, disse o cônsul-geral da Costa do Marfim em São Paulo, Tibe Bi Gole Blaise.

Infantino, presidente da Fifa, foi ao velório de Pelé na segunda e disse que pediria a todos os países associados à entidade que comanda o futebol mundial que batizem ao menos um estádio em seus territórios com o nome de Pelé. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), disse no Twitter que a avenida onde fica o estádio do Maracanã, onde Pelé marcou o milésimo gol de sua carreira, receberá o nome do rei do futebol.

Os presidentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, e da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), Alejandro Domínguez, também foram ao velório de Pelé na segunda, assim como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).

As homenagens ao atleta do Século 20, único jogador a ganhar três vezes a Copa do Mundo –em 1958, quando tinha apenas 17 anos–, 1962 e 1970–, não devem parar, no entanto. Na segunda, Clodoaldo defendeu que o Santos aposente a mítica camisa 10, que Pelé tranformou em um ícone, embora tenha afirmado que o assunto precisará ser discutido pela direção do clube.

Além disso, de acordo com a assessoria de imprensa do cemitério onde Pelé será sepultado, em sete dias deverá ser possível visitar o túmulo onde agora descansa o jogador que mudou o esporte, fez mais de mil gols na carreira e tornou-se referência de Brasil no mundo, além de ser o principal responsável por dar à sua terra natal o título de “país do futebol”.